Uma regulação da comunicação pelo Estado que permita acesso às novas tecnologias e participação da sociedade civil na formulação de conteúdos foi tema de discussão durante a I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura
Por Luiz Sammartano
Em contraposição ao modelo de mídia tradicional, focada na verticalização da informação, a comunicação do século XXI pede uma participação democrática da sociedade civil na produção de um conteúdo mais plural e que represente a diversidade cultural brasileira. Esta foi uma das questões discutidas durante a palestra Desafios da Comunicação no século XXI, na manhã de 26 de setembro, durante a I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura, que reúne representantes de Pontos e Pontões de Cultura, além de Pontos de Mídia Livre e representantes de redes de comunicação em Chã Grande, no Agreste de Pernambuco.
João Brant, do coletivo Intervozes, James Görgen, pesquisador em comunicação e coordenador-geral de políticas audiovisuais da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV-MinC), e Juliano Maurício de Carvalho, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foram os integrantes da mesa, mediada por Isabelle Albuquerque, coordenadora de articulação da Gerência de Mobilização e Articulação de Redes Sociais da Secretaria de Cidadania Cultural (SCC) do MinC.
Fotos: Kléber Fragoso – SCC/MinC
Os GTs discutiram vários temas para uma comunicação mais livre no país
Para João Brant, o desafio da comunicação para os próximos anos é a regulação pública, para que garanta a liberdade de expressão dos coletivos sociais. “Os meios sempre serão regulados, mas é preciso que ela seja feita de forma democrática, garantindo, além do direito à liberdade de expressão, o de acesso à informação e à comunicação. É preciso ver a comunicação como direito, e o Estado, por meio de políticas púbicas, deve garanti-lo”, afirmou.
Acesso à banda larga
Segundo Brant, a democracia da comunicação deve refletir a pluralidade política e cultural dos grupos sociais brasileiros, levando em consideração questões de gênero e raça. “A internet tem um grande potencial para que isso realmente aconteça”, disse. Mas, para garantir os direitos civis na internet, é preciso popularizar o o acesso à banda larga no país. “Isso permitirá a igualdade de produção e distribuição no setor, o que pode superar o poder das grandes corporações”, acrescentou.
Especialistas discutiram os rumos da comunicação para o século XXI
Estudioso da área de políticas de comunicação no mundo digital, James Görgen apresentou um histórico das tendências no Brasil e no mundo. De acordo com ele, hoje experimenta-se um momento já vivido nos anos 1960, quando a comunicação caminhava para a liberdade de expressão e a inclusão digital. “No momento atual, a dúvida é até que ponto um email é comunicação social ou somente comunicação interpessoal. O que vemos é uma iniciativa para a regulação disso”, conta.
João Brant destacou a internet como espaço da diversidade brasileira
Redução de ‘pedágios’
Görgen destaca a entrada do Estado nesse processo de formatação de uma comunicação pública democrática e diversa. “Da mesma forma que tivemos, no século XX, o Estado regulando os serviços de fornecimento de água e luz, agora experimentamos o mesmo na comunicação. É preciso que ele atue para reduzir ou zerar os ‘pedágios’ no acesso às novas tecnologias da informação.
Para Juliano Carvalho, a participação social é fundamental para que haja uma mudança de paradigmas ao fazer comunicação no país. “É preciso retratar a diversidade cultural brasileira. A democratização da comunicação passa pela discussão das políticas culturais concomitantemente com as de comunicação, pois não podem ser pensadas separadamente”, comentou.



